internet-teclado-vicio-laptop-620-size-598

Um ano sem internet: o que você perderia?

GALILEU/ Alexandre Maron

O editor do The Verge, Paul Miller, ficou um ano sem internet. A busca de Miller era por se livrar do ruído de tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo e da procrastinação inerente ao meio. As explicações básicas dessa decisão radical estão na reportagem de Luciana Galastri, que entrevistou Miller para Galileu. São motivos fascinantes e estão sendo discutidos em diversos sites. Aqui, em nome do foco, eu vou me concentrar em outra coisa. O que perde da cultura pop uma pessoa que fica um ano fora da internet?

Bastante coisa. De alguns anos para cá, a Internet se consolidou como um meio produtor de conteúdo original que vai além de comentar as outras mídias. Hoje, a produção de vídeo é um forte motor de inovação na criação de conteúdos exclusivos, focados para certos grupos, desenvolvidos pro tamanho de audiência certo. Pense bem. Faz sentido gastar US$ 3 milhões num episódio de série que será visto por milhões de pessoas no maior mercado publicitário do mundo, o norte-americano, e rodará o mundo fazendo dinheiro em canais pagos locais. Mas para um programa focado num nicho demográfico, o custo máximo pode episódio pode estar na casa dos R$ 10 mil, ou R$ 50 mil, ou R$ 100 mil. Quem conseguir encaixar sua produção nos limites certos, criará conteúdos legais e ganhará dinheiro com isso.

A tendência é clara. A internet vai oferecer mais e mais produções originais que vão manter você ligado, vão virar assunto das conversas. Hoje, isso já acontece com os memes engraçados, os vídeos virais do Youtube. Nos últimos dois anos, começou a acontecer com séries e filmes feitos exclusivamente para esse meio. É um fenômeno diferente da novela das nove. Dos grandes eventos coletivos que todo mundo vê. Você vai achando aquele colega, aquela amiga, que curtem o que você curte. Vai criando segmentação de assuntos até nos círculos de amigos. E o efeito disso é que, se você estiver desconectado, realmente perde parte relevante da produção cultural.

Vou listar a seguir cinco coisas bacanas da cultura POP que só quem estava conectado curtiu:

1. Porta dos Fundos – É efetivamente, uma das coisas mais legais surgidas no YouTube brasileiro. É claro que o nível dos esquetes é irregular. Mas num universo de 90 clipes, isso é até normal. E o nível médio das piadas é bem alto. Como trabalha com quadros curtos, sofre menos de um mal comum do humor na TV: a piada esticada além da conta. Tem um bom equilíbrio entre piadas bem atuais e outras que vão gerar risadas daqui a uma década.

2. Os canais exclusivos do YouTube – O Youtube resolveu investir em canais exclusivos, investiu cerca de US$ 100 milhões no primeiro momento e o resultado é uma quantidade enorme de vídeos de altíssima qualidade feitos especialmente para o site. Há coisas legais como o Machinima Prime, o Geek and Sundry (de Felicia Day e Will Wheaton) , H+ (do diretor Bryan Singer) The Multiverse (do Warwick Davis) e o Pet Collective. Cada um desses canais oferece uma grade, com programas novos sendo lançados regularmente. E são vídeos mais longos, que podem durar perto de 30 minutos. O sucesso de cada programa determina se ganhará novas temporadas.

3. A segunda tela do Twitter e do Facebook – Hoje, ninguém mais precisa ver TV sozinho. Pelo menos metaforicamente falando, você vê qualquer programa com muitos amigos, bastando apenas abrir o Twitter e o Facebook. Estou aqui considerando isso como parte integrante da diversão, apesar do caráter de comentário. Mas até um programa de TV ruim pode ganhar uma nova leitura se você pode falar mal e fazer piadas em tempo real.

4. Toda a produção para Tablets e Smartphones – O tablet é um ótimo aparelho para guardar conteúdos que serão lidos num momento em que não haverá conexão Wi-FI disponível. Mas esse conteúdos só chegam lá via conexão com a internet. Logo, sem internet, sem tablet. Já os smartphones são aparelhos que estão conectados com o mundo 100% do tempo. E dentro desse ecossistema, são incontáveis jogos, livros interativos originais, podcasts e revistas que só existem no mundo digital, como a The Next Web, The Magazine, Distmo e Huffington Post.

5. As séries originais da Netflix – Pois é. Como está difundido em todos os cantos, é capaz de você se esquecer que o Netflix é um serviço exclusivamente para quem tem uma conexão de banda larga. Só quem assina o serviço online consegue assistir House of Cards (de David Fincher, com Kevin Spacey) e Hemlock Grove (de Eli Roth). Ok, a pirataria tornou as séries disponíveis nos torrents, mas esses meios também exigem uma conexão. Em breve, estréia uma temporada exclusiva de Arrested Development. E há mais um monte de novos programas que virão nos próximos meses. São produtos que não devem nada aos bons seriados feitos para a TV ou para os canais pagos.

Aqui falei apenas de cinco coisas bacanas. E você? O que acha que uma pessoa teria perdido da cultura POP se tivesse ficado o último ano fora da internet? Concorda com a minha seleção? Acha tudo uma droga? Comente!

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>